Faces
Por:
José Teles Baltazar
Gestor de Compra de Mídia, Integra a Lista dos Corpos Sociais da AMCPN
À medida que foram decorrendo os 6 meses da Exposição Mundial de Lisboa, fui imbuído de um sentimento, quase uma certeza, de que o meu futuro próximo passaria pela Cidade Imaginada.
Encerramento- foi das inesquecíveis vistas das janelas da casa na Graça onde vivia, que assisti ao apoteótico Fogo de Artifício que antecedeu o animado concerto dos GNR na saudosa Praça Sony. Nessa noite tomei 3 felizes decisões: alargar o meu negócio ao recinto da exposição, descobrir residência na então Expo Urbe e casar; todas elas realizadas em prazo curto;
Pavilhão Atlântico – como gestor de concessão privada, tive o privilégio de colaborar no arranque do pavilhão pós-Utopia e o prazer de conviver com a mais completa equipa de gestão e produção de espectáculos, reunida, hoje, sob a batuta do eficiente José Faísca. Os inúmeros espectáculos de sucesso, consagraram o Atlântico como uma das melhores “arenas” europeias;
Torre Verde – sendo um sportinguista convicto atraiu-me logo o nome de um edificio à data, isolado e na 1ª linha do rio. A decisão de nos tornarmos proprietários foi unânime e imediata, por ser bioclimático, com soluções energéticas amigas do ambiente, estar localizado junto aos verdejantes jardins e passeios do parque do Tejo, possuir um soberbo panorama que permite um prisma único sobre a “nossa” ponte e dispensar serviços da Climaespaço. (Só me desiludi quando no registo provisório, constatei que por escassas centenas de metros, a nova casa se situava no “território” de Loures.). Passados 10 anos, aqui continuamos, tendo mudado de fracção, sem abandonar a Torre Verde;
Impressões de vida no Parque das Nações
“Central Sug” – uma pérola, este sistema inédito em Portugal instalado por todo o bairro, de recolha de resíduos sólidos, sugados por baixo do solo, dispensando a ruidosa recolha motorizada e potencia ainda a recolha selectiva dos resíduos reclicáveis;
Club House – o Health Club” é dos equipamentos recreativos, construídos de raiz pela Parque Expo, o que melhor tem desempenhado a sua função e do qual sou sócio desde o princípio. A piscina exterior, quente todo o ano, é um “luxo” e no Verão serve de opção à praia. É frequentado não apenas pelos “locais”, atraindo muitos moradores e/ou trabalhadores de vários bairros circundantes;
Paróquia de Nª Srª dos Navegantes – as autoridades eclesiásticas foram mais práticas e visionárias que as congéneres políticas ao criarem uma única paróquia para congregar os fiéis de todo o Parque. Tendo crescido ao ritmo do desenvolvimento da zona, tornou-se um pólo comunitário com uma agenda vibrante e plena de entusiasmo, transmitindo uma onda de jovialidade, bem distinta do tédio das paróquias citadinas. O passo seguinte é a construção da nova igreja, que pela antevisão do projecto, estou certo, constituirá outro marco arquitectónico do PN;
Divisão Administrativa – Foi um absurdo dividir um espaço gerido por uma única entidade pública de direito privado, em 2 concelhos e 3 freguesias. O carácter de excepcionalidade, que permitiu a concretização da Expo, deve ser aproveitado para corrigir uma divisão administrativa caduca. Grave é a atitude de alheamento dos municípios envolvidos que se limitam a recolher impostos locais ( IMI, IMT, derramas, etc.) demitindo-se da gestão do PN, onde a sua intervenção se resumiu à colocação de placas nos limites das “freguesias”.
Se não fosse a acção da AMCPN, que vai lutando contra ventos e marés adversas (mas com a preciosa colaboração do Notícias do Parque), a possibilidade de criar uma Freguesia “unificada” já estaria há muito enterrrada. Persistindo, a AMCPN lançou uma nova petição à Assembleia da República para a criação da Freguesia do PN que considero vital ser assinada por todos nós;
Escola Pública - com uma imensa e cada vez maior população escolar, a oferta pública continua a resumir-se à EB Vasco da Gama que este ano tentou manter uma turma no 1º ano, instalando um monobloco, solução logo inviabilizada pela irredutível CML que em conjunto c/ a DREL, preferiu colocar esses alunos em escola dos Olivais, a quatro ou cinco quilómetros de distância das suas casas, acenando-lhes com a vaga promessa de que no próximo ano lectivo, teriam acesso privilegiado na nova EB do PN. Dias depois, no início de Setembro, em plena campanha eleitoral, a Parque Expo, substituindo-se aos municípios, assinou o protocolo com o Ministério da Educação, responsabilizando-se pela imediata construção de 2 EB’s (uma na Zona Sul e outra na zona Norte) e anunciando, em comunicado, a abertura desses equipamentos em Setembro de 2010. Já passaram (10 anos e) 3 meses, mas até agora nem uma pá entrou nos lotes destinados às referidas escolas, o que desde já prefigura incumprimento no prazo adiantado pela Parque Expo. Enquanto isso, proliferam os colégios particulares com custos que constituem uma sobrecarga financeira para os respectivos agregados familiares;
Dejectos Canídeos – os meus filhos gostam de correr, brincar e jogar nas imediações, usufruindo em pleno da calçada e dos relvados. Agradecem a todos os donos de canídeos, desprovidos de civismo, que mudem de atitude e que, quando passeiem os animais, recolham todos os dejectos dos seus fiéis amigos.
Nota – a única vantagem de habitar no PN “Loures” é escapar à alçada da EMEL:).
